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Festival do Duplo Nove na China: por que '99' significa 'para sempre'

Pela redação do HotNews3 min de leitura
Festival do Duplo Nove na China: por que '99' significa 'para sempre'

Todos os anos, no início do outono, famílias em toda a China celebram um festival que poucos estrangeiros conhecem: o Festival do Duplo Nove, ou Chongyang. Ele cai no nono dia do nono mês lunar — este ano, em 18 de outubro — e seu nome vem da duplicação do número nove. Na tradição chinesa, o nove é um número yang, associado ao calor e à positividade, e como a palavra para nove soa como ‘duradouro’, a data carrega um desejo de vida longa e saudável. É por isso que o festival se tornou um dia para homenagear os mais velhos, com as gerações mais jovens visitando pais e avós, trazendo presentes e compartilhando refeições.

O costume mais visível é subir a uma colina ou montanha. Nas cidades, as pessoas se dirigem ao ponto mais alto próximo ao amanhecer; no campo, as famílias caminham até picos pitorescos. A ideia é ‘ascender alto’ (denggao), um ato simbólico de elevar-se acima do infortúnio e convidar a boa sorte. Também é uma chance de aproveitar o ar fresco do outono e as folhas que mudam de cor. Muitos parques e pontos turísticos organizam subidas organizadas, e é comum ver três gerações caminhando juntas, com os avós marcando um ritmo lento mas constante.

Os crisântemos são a flor do festival. Eles florescem no final do outono, quando a maioria das outras flores já murchou, e são vistos como um símbolo de resiliência e longevidade. As pessoas exibem crisântemos em vasos em casa, visitam exposições de flores e, em algumas regiões, bebem vinho ou chá de crisântemo, considerados benéficos à saúde. Antigamente, também era costume usar um ramo de cornizo (zhuyu), uma planta de aroma forte que se acreditava afastar o mal. Hoje, a tradição do cornizo praticamente desapareceu, mas os crisântemos continuam centrais.

A comida também desempenha um papel. Em muitas áreas, as pessoas comem bolo de chongyang (gao), um bolo cozido no vapor cujo nome soa como ‘alto’, ecoando o costume de subir. O bolo costuma ser feito em camadas com tâmaras vermelhas, nozes e osmanto, e é dado de presente aos mais velhos. Em algumas regiões do sul, as famílias fazem bolos de arroz com castanhas, enquanto no norte, um simples bolo de milheto é mais comum. A comida tem menos a ver com extravagância e mais com o ato compartilhado de fazer e presentear.

Desde 1989, o governo chinês designou oficialmente o Duplo Nove como o Dia dos Idosos, incentivando o respeito aos mais velhos. Mas as raízes do festival remontam a mais de mil anos. Foi registrado pela primeira vez na dinastia Han (cerca de 2000 anos atrás) e tornou-se popular durante a dinastia Tang, quando poetas escreviam versos sobre subir às alturas e sentir saudades de amigos ausentes. Um dos versos mais famosos da literatura chinesa, do poeta Tang Wang Wei, descreve a saudade de casa neste dia: ‘Sei que meus irmãos estão subindo ao alto, e um deles sente minha falta.’ Ainda é ensinado nas escolas.

Para os chineses modernos, o Duplo Nove é um feriado mais tranquilo que o Ano Novo Chinês ou o Festival do Meio Outono. Não há folga nacional, então a maioria das pessoas celebra no fim de semana mais próximo. Mas sua mensagem — respeito à idade, gratidão pela família e apreciação do outono — ressoa. Em uma sociedade que envelhece rapidamente, a ênfase do festival nos mais velhos parece mais relevante do que nunca. Muitas empresas e escolas organizam visitas a asilos, e as redes sociais se enchem de mensagens de bênçãos para os avós.

As saudações trocadas neste dia costumam incluir a frase ‘chongyang ankang’ — que você esteja seguro e saudável no Duplo Nove. É um desejo simples, mas que captura o espírito do festival: um momento para parar, cuidar daqueles que vieram antes de nós e apreciar a beleza da estação.

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