O novo chefe da Changan herda um problema de crescimento

Uma das montadoras mais antigas da China trocou a pessoa no topo. A Changan Automobile, fabricante estatal sediada em Chongqing, confirmou que Zhu Huarong deixou a presidência e que Zhao Fei assumirá o cargo. A transição chega em um momento delicado: a empresa está sob pressão tanto no volume de vendas quanto no lucro, e espera-se que a nova liderança seja avaliada por sua capacidade de retomar o crescimento.
A Changan não é um player de nicho. Ela produz carros de passeio sob sua própria marca e por meio de joint ventures com parceiros estrangeiros, e tem sido um dos grupos chineses mais agressivos na eletrificação. Sua linha abrange desde sedãs econômicos e SUVs familiares até uma família crescente de veículos elétricos e híbridos plug-in. Também opera as marcas Deepal e Avatr, voltadas respectivamente para compradores mais jovens e mais premium. Para leitores globais, a Changan é um gigante do mercado de massa tentando parecer e se comportar mais como uma empresa de tecnologia.
Essa ambição é cara. O mercado automotivo chinês passou os últimos anos em uma guerra de preços implacável, com descontos em tudo, desde hatchbacks de entrada até sedãs elétricos de luxo. As montadoras cortaram preços para defender participação de mercado, mesmo gastando pesado em baterias, software e sistemas de assistência ao motorista. O resultado é um setor em que a receita pode crescer enquanto as margens encolhem, e em que marcas menores ou mais lentas correm o risco de serem deixadas de lado.
A pressão não é exclusiva da Changan. Em toda a indústria, fabricantes estabelecidos estão sendo pressionados por especialistas em elétricos de rápido crescimento e por empresas de tecnologia que entram no setor automotivo. Até a gigante de baterias CATL, há muito o fornecedor mais poderoso da cadeia, teve que se esforçar mais para manter a fidelidade das montadoras enquanto elas buscam alternativas. Fornecedores e montadoras estão descobrindo que a era em que simplesmente expandir a produção garantia lucros fartos acabou.
Zhu Huarong liderou a Changan durante um período de reestruturação e construção de marca. Sua saída, e a nomeação de Zhao Fei, sinalizam o desejo de um novo impulso. O novo presidente herda uma empresa com real profundidade de fabricação e uma ampla gama de produtos, mas também uma que precisa decidir onde concentrar suas apostas: modelos de volume mais baratos, marcas elétricas premium ou exportações para mercados externos onde os carros chineses estão ganhando terreno.
As exportações provavelmente farão parte da resposta. As montadoras chinesas têm enviado mais veículos ao exterior, especialmente para o Sudeste Asiático, Oriente Médio, América Latina e Europa. Essa expansão traz seus próprios desafios, desde regulamentações locais até a construção de redes de concessionárias e capacidade de serviço. Para a Changan, o sucesso no exterior pode compensar o crescimento mais lento em casa, mas isso não acontecerá da noite para o dia.
O contexto mais amplo é uma indústria automobilística chinesa em transição. Ministérios do governo têm enfatizado a inovação de produtos e os padrões de teste para veículos conectados inteligentes, enquanto as regras de segurança de baterias estão sendo endurecidas. Pede-se que as montadoras compitam em segurança e software, bem como em preço. A nova liderança da Changan terá que equilibrar essas demandas com a simples necessidade de vender mais carros de forma lucrativa.
Para Zhao Fei, a lua de mel será curta. Investidores, concessionárias e funcionários vão querer sinais de que a Changan pode recuperar o ímpeto sem sacrificar a qualidade e a narrativa tecnológica que vem construindo. A empresa tem escala e história; o que precisa agora é de um caminho mais claro para o crescimento em um mercado que recompensa a velocidade e pune a acomodação.