HotNews.pub

O rei do batom vende tokens de IA: 2 trilhões em meia hora

Pela redação do HotNews3 min de leitura
O rei do batom vende tokens de IA: 2 trilhões em meia hora

Durante anos, Li Jiaqi foi conhecido na China como o “rei do batom”, o apresentador de lives cujo discurso de cinco minutos podia vender 15 mil batons. Na noite de 2 de novembro, seu直播间 — o formato de venda ao vivo que mistura entretenimento, demonstração e desconto imediato — colocou na prateleira algo menos glamouroso: tokens. Mais precisamente, assinaturas pessoais mensais do Qianwen Office, uma suíte de produtividade com IA. Em meia hora, segundo relatos de 3 de novembro, a sala havia vendido 100 mil delas, um total acumulado de cerca de 2 trilhões de tokens.

A aritmética é a parte interessante. Vender IA por token é como provedores de nuvem e de modelos cobram dos desenvolvedores, não como os aplicativos de consumo costumam cobrar das famílias. Colocar essa unidade diante de uma grande plateia de live transforma uma mercadoria de empresa para empresa em compra por impulso, embalada com as mesmas mecânicas de urgência — estoque limitado, contagem regressiva, entusiasmo do apresentador — que vendem cosméticos e salgadinhos.

O diretor-presidente do Qianwen Office, Chen Yusheng, entrou na transmissão para mostrar aos espectadores usos cotidianos: redigir documentos, resumir reuniões, cuidar das pequenas tarefas da vida de escritório. Li Jiaqi perguntou se um clone de IA dele mesmo poderia conversar com fãs mulheres vinte e quatro horas por dia. Chen recusou a premissa, dizendo que a IA não pode substituir Li Jiaqi e que preferiria ajudar os fãs a usá-la para sair do trabalho no horário, cuidar dos animais de estimação e da família. O diálogo, cortado e amplamente compartilhado, fez mais pelo discurso de venda do que qualquer ficha técnica.

O momento não é acidental. O calendário do comércio eletrônico chinês atinge o pico em torno do Double 11, o festival de compras de novembro, e os fornecedores de IA passaram o ano em busca de consumidores pagantes em vez de usuários de teste gratuito. A transmissão ao vivo continua sendo a máquina mais eficiente do país para converter atenção em transações, com apresentadores atuando como avaliadores de confiança em categorias que os compradores não entendem. Os tokens se encaixam: a maioria dos compradores não tem ideia clara do que um milhão deles compra.

Aí está também o risco. Contagens de tokens são uma unidade ruim para o consumidor — variam conforme a tarefa, o modelo e o comprimento da saída — e uma assinatura vendida por volume pode gerar decepção quando a cota mensal de um usuário some em uma semana de uso intenso. Se os 100 mil compradores vão renovar dependerá menos do carisma do apresentador do que de o software poupar deles uma hora que consigam nomear.

Ainda assim, o experimento marca uma mudança na forma como as empresas chinesas de IA pensam a distribuição. Em vez de esperar que os escritórios adotem ferramentas de cima para baixo, elas empurram assinaturas pelos mesmos canais que construíram as marcas de consumo chinesas: apresentadores famosos, descontos de festival e clipes de vídeo curto. Se o modelo funcionar, espere ver assistentes rivais em outras grandes salas de live antes da próxima temporada de compras.

A leitura mais ampla é que a IA na China está sendo transformada em produto de varejo. A tecnologia é cada vez mais vendida como bem de consumo de massa, com toda a velocidade e a rotatividade que isso implica. Para observadores globais, a questão não é se uma live consegue vender tokens — claramente consegue, ao menos uma vez —, mas se o hábito permanece depois que os descontos do festival acabarem.

Ir para uma história aleatória do arquivo

Grafo de temas relacionados

Linha mais grossa = mais coocorrências · toque num nó para abrir a tag