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Applied Materials aposta alto em ferramentas para chips e um negócio de serviços de US$ 12 bilhões

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Applied Materials aposta alto em ferramentas para chips e um negócio de serviços de US$ 12 bilhões

A Applied Materials, uma das maiores fornecedoras mundiais de máquinas usadas para fabricar chips de computador, aproveitou o dia 14 de outubro para esboçar onde pretende estar no fim da década. A empresa americana disse esperar que sua receita de serviços cresça mais de 20% em 2026 e ultrapasse US$ 12 bilhões até 2030. Isso tornaria o lado pós-venda do negócio, que abrange manutenção, peças de reposição e atualizações para ferramentas já instaladas nas fábricas de chips, uma fatia muito maior do total.

A meta principal era a participação de mercado. A Applied Materials afirmou que pretende elevar sua fatia no mercado de equipamentos para fábricas de wafers em mais de dois pontos percentuais entre 2025 e 2030. Os equipamentos para fábricas de wafers, frequentemente abreviados como WFE, são as máquinas que gravam, depositam e inspecionam as camadas microscópicas que se tornam transistores e conexões em um wafer de silício. É um dos cantos mais intensivos em capital da cadeia de suprimentos tecnológica global, e as empresas que o dominam são acompanhadas de perto pelos investidores como um indicador de quanto os fabricantes de chips planejam gastar.

A companhia também destacou uma linha de produtos mais específica: espera-se que seu portfólio de equipamentos de feixe de elétrons alcance US$ 2 bilhões em receita em 2026. As ferramentas de feixe de elétrons são usadas para inspecionar e medir padrões em wafers em escalas extremamente pequenas, uma tarefa que se torna mais difícil à medida que os chips encolhem.

Em termos de lucratividade, a Applied Materials estabeleceu metas de margem bruta non-GAAP de 54% e margem operacional de 40% até 2030. Os números non-GAAP excluem certos itens extraordinários e contábeis, e as empresas costumam usá-los para mostrar o que consideram ser a tendência subjacente. Atingir esses níveis exigiria melhorias constantes no mix e no controle de custos ao longo de vários anos, e não um único trimestre bom.

Os retornos de caixa tiveram sua própria linha. A empresa disse que pretende distribuir entre 80% e 100% de seu fluxo de caixa livre aos acionistas até 2030. O fluxo de caixa livre é o dinheiro que sobra depois de operar o negócio e pagar pelas fábricas e equipamentos necessários para mantê-lo funcionando. Prometer devolver quase tudo é um sinal forte para os investidores, e também implica que a administração não espera precisar de grande financiamento externo para seus planos.

Para sustentar esses planos, a Applied Materials disse que mais que dobrará seus laboratórios de pesquisa e sua capacidade de fabricação até 2030. Expandir a capacidade é um processo longo e caro, e também é uma declaração sobre a demanda esperada: não se constroem fábricas para ferramentas que se acredita que ninguém comprará.

O pano de fundo é uma indústria de semicondutores que oscilou fortemente entre auge e crise nos últimos anos, impulsionada primeiro pela demanda da era pandêmica e depois pela corrida para construir data centers para inteligência artificial. Os planos de gastos dos fabricantes de chips sobem e descem com esse ciclo, e os fornecedores de equipamentos sentem isso primeiro. Ao vincular suas metas a 2030 em vez do próximo trimestre, a Applied Materials pede aos investidores que a julguem em um arco mais longo.

Para leitores fora do setor, a maneira mais simples de ler o anúncio é esta: a empresa que vende as máquinas também quer vender a manutenção, e quer que ambas sejam maiores e mais lucrativas em cinco anos. Se ela chegar lá dependerá de decisões tomadas em salas de conselho de Taipé a Seul e ao Arizona sobre quantas novas fábricas de chips o mundo realmente precisa.

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