AIE libera reservas de petróleo após ataque a petroleiro em Ormuz abalar mercados

Os mercados de petróleo receberam um duplo choque esta semana, e os operadores ainda tentam descobrir qual sinal importa mais. O chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, disse que a agência liberará petróleo bruto e diesel de suas reservas de emergência nos próximos dias e semanas, uma medida que, segundo ele, já reduziu pelo menos US$ 5 o preço do barril. A alocação final será definida após conversas com os países membros, e Birol acrescentou que as reservas continuam amplas o suficiente para liberar mais, se necessário.
O gatilho foi um ataque no mar. A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), um escritório britânico de monitoramento naval, informou que o capitão de um petroleiro declarou que sua embarcação foi atingida por um projétil não identificado quando saía do Estreito de Ormuz. O impacto causou um pequeno incêndio e um apagão total a bordo. A tripulação apagou o fogo, o navio permaneceu flutuando e continua em movimento, e não houve relatos de feridos ou danos ambientais. As autoridades investigam o que atingiu o navio.
Ormuz é o canal estreito na foz do Golfo Pérsico pelo qual passa uma grande parte do petróleo transportado por mar no mundo. Qualquer indício de problema ali se propaga em poucas horas para as taxas de frete, os prêmios de seguro e o planejamento das refinarias. É por isso que a AIE agiu rapidamente: a liberação de reservas visa menos corrigir uma escassez física do que acalmar as expectativas dos operadores que temem uma.
Os efeitos econômicos mais amplos já estão sendo contabilizados. A ONU Mulheres afirmou em um relatório divulgado em 2 de outubro que a contínua tensão no Oriente Médio, e os atrasos no transporte marítimo que ela provoca através de Ormuz, estão elevando os preços globais dos alimentos e apertando os orçamentos das famílias. O relatório projetou que, até o final de 2026, cerca de 22 milhões de pessoas a mais em todo o mundo poderão enfrentar insegurança alimentar, aproximadamente 53 por cento delas mulheres. Custos mais altos de combustível e frete tendem a chegar às prateleiras de alimentos de forma lenta, mas persistente, atingindo com mais força os países dependentes de importações.
No restante do setor de energia e commodities, os metais se moveram na direção oposta. O ouro caiu 1 por cento, para cerca de US$ 4.159 a onça, e a prata à vista recuou 2 por cento, para cerca de US$ 59,76 a onça. Quando a demanda por ativos seguros diminui, mesmo que brevemente, os metais preciosos costumam ser a primeira operação a ser desfeita, e uma liberação de reservas que reduz os preços do petróleo pode ser lida como um pequeno voto de confiança de que as rotas de suprimento vão se manter.
As ações europeias fecharam em alta, com o DAX alemão subindo 1,19 por cento, o CAC 40 francês 0,95 por cento e o FTSE 100 britânico 0,25 por cento. Os ganhos sugerem que os investidores trataram a liberação de reservas como uma medida estabilizadora, e não como o início de uma crise de suprimento mais ampla.
Para o consumidor comum, a cadeia vai do casco de um petroleiro ao preço do pão. O diesel move caminhões, tratores e barcos de pesca; quando o diesel fica caro, tudo o que ele transporta também fica. É por isso que um único projétil em um canal estreito pode acabar na pauta de uma agência da ONU e no orçamento de uma família a milhares de quilômetros de distância. As próximas semanas mostrarão se o estoque da AIE pode comprar calma suficiente para impedir que esses custos subam ainda mais.