Reforma de 4,4 milhões de dólares no Monte Canglang testa aposta chinesa em parques gratuitos

Uma construtora estatal ganhou o contrato para requalificar o Monte Canglang, parque florestal nacional no distrito de Yunyang, em Shiyan, província de Hubei, após um concurso público que decorreu desde a inscrição no final de agosto até à avaliação das propostas em meados de outubro. A Hubei Jiuzhou Xingsheng Construction ofereceu 29.097.826,54 yuans pelas obras, contra um orçamento total do projeto de 32 milhões de yuans, cerca de 4,4 milhões de dólares.
O concurso utilizou um mecanismo em duas fases, no qual um comité de avaliação pontua os concorrentes antes de uma votação separada decidir o vencedor, um procedimento que os projetos públicos chineses usam cada vez mais para separar o julgamento técnico do preço. O anúncio de adjudicação foi publicado a 23 de outubro.
O que torna o projeto digno de atenção não é o betão. É o modelo de negócio. A primeira fase de melhorias do Monte Canglang foi aberta ao público gratuitamente. A segunda fase, agora em construção, é apresentada como uma requalificação integral das instalações de apoio, e não como um novo portão ou bilheteira. Num país onde muitas áreas cénicas ainda dependem das taxas de entrada, um parque florestal que gasta milhões em trilhos, sinalização, estacionamento e serviços aos visitantes sem cobrar na entrada é uma aposta deliberada: que o gasto por visitante, e não o bilhete, é o futuro do turismo interno.
O Monte Canglang situa-se numa parte do noroeste de Hubei conhecida por montanhas baixas, albufeiras e cobertura florestal, mais do que por paisagens espetaculares. Parques como este competem pelos automobilistas de fim de semana de Shiyan e cidades vizinhas, que têm uma oferta crescente de escapadinhas curtas. A requalificação pretende ajudar Yunyang a posicionar-se como destino na região.
O calendário é apertado e ordeiro. A inscrição foi concluída a 25 de agosto, a apresentação de propostas encerrou e a avaliação terminou a 15 de outubro, e o vencedor foi anunciado oito dias depois. O preço do contrato ficou ligeiramente abaixo do orçamento, o que é comum em concursos competitivos, mas também deixa pouca margem para derrapagens de custos durante a construção.
Para os viajantes, o efeito prático deverá ser gradual: melhores trilhos, sinalização mais clara, mais locais para parar. O atrativo do parque continuará a depender das cores de outono, do verde da primavera e de quão cheia fica uma atração gratuita num fim de semana de sol. A entrada gratuita tende a encher os estacionamentos mais depressa do que as instalações conseguem absorver, e as novas obras serão avaliadas pela forma como aliviam essa pressão.
A questão mais ampla é se o modelo é replicável. Parques florestais e áreas cénicas em toda a China experimentam eliminar as taxas de entrada e ganhar com autocarros de transferência, restauração, alojamento e eventos. O Monte Canglang é um teste pequeno e concreto dessa ideia, num distrito que precisa que os visitantes fiquem mais tempo e gastem mais. Se o parque requalificado atrair mais dormidas em Yunyang, outros parques vão notar. Se apenas transferir a fila da bilheteira para o estacionamento, o argumento a favor da entrada gratuita enfraquece.