Jingzhou aposta em um grande complexo teatral para manter turistas durante a noite

Jingzhou, cidade da província de Hubei mais conhecida dos leitores chineses como cenário da epopeia dos Três Reinos, está avançando com um complexo de espetáculos de 438 milhões de yuans (cerca de 61 milhões de dólares) chamado Jingchu Yingxiang, segundo um processo de construção noticiado nesta semana. O projeto ainda está na fase burocrática, mas sua ambição é clara: dar à cidade um palco dedicado e gerido profissionalmente para um grande espetáculo ao vivo em torno do qual os turistas planejem uma noite.
A ideia não é nova na China. Nos últimos anos, cidades de todo o Hubei investiram pesado em produções teatrais de grande porte encenadas diante de paisagens reais ou dentro de espaços construídos sob medida. Yichang tem seus espetáculos das Três Gargantas, Shiyan tem um show inspirado em Wudang, e Hong’an, em Huanggang, trouxe a equipe por trás de uma conhecida produção de Henan para criar uma versão local. Esses espetáculos são vistos como forma de ampliar a cadeia turística: quem fica para uma apresentação noturna também reserva hotel, janta na cidade e gasta mais antes de partir.
Jingzhou começou cedo nessa corrida. Lançou três grandes produções há vários anos e já abriga dois shows populares em seu parque temático Fangte, um sobre o antigo poeta Qu Yuan e outro que celebra a música e a dança da era Chu. O que lhe faltava era um espaço cênico construído para esse fim e uma única produção principal que representasse Jingzhou como os espetáculos de outras cidades as representam. O novo complexo pretende preencher essa lacuna.
Para viajantes internacionais, o modelo pode parecer familiar da Broadway ou do West End, mas a economia é diferente. Governos locais chineses costumam tratar esses teatros como infraestrutura pública, e não como apostas puramente comerciais, usando-os para atrair pernoites e elevar o perfil da cidade. O risco é que cidades demais construam shows semelhantes com histórias parecidas, deixando o público sem saber quais valem a viagem.
A vantagem de Jingzhou é seu profundo material histórico. A associação da cidade com o período dos Três Reinos lhe dá uma narrativa pronta que os turistas chineses reconhecem na hora, e a cultura Chu da região oferece outra camada de música, figurino e mito. Um espetáculo bem produzido poderia transformar uma parada de meio dia em uma estadia de duas noites no clássico itinerário do Yangtzé.
O processo de construção é um primeiro passo, e nenhuma data de abertura foi anunciada. Ainda assim, o projeto sinaliza que Jingzhou pretende competir pelo mesmo gasto turístico noturno que seus vizinhos de Hubei, em vez de depender apenas de suas antigas muralhas e museus. Para quem planeja uma rota pelo centro da China, a cidade está discretamente acrescentando um motivo para ficar depois do anoitecer.