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As cinco antigas vilas-mercado de Foshan mantêm vivo um comércio mais lento

Pela redação do HotNews3 min de leitura
As cinco antigas vilas-mercado de Foshan mantêm vivo um comércio mais lento

No distrito de Nanhai, em Foshan, cidade industrial da província de Guangdong, cinco antigas vilas-mercado ainda carregam nomes que os moradores mais velhos pronunciam com certa ternura: Dali, Yanbu, Pingzhou, Dijiao e Xingxing. Muito antes das rodovias e dos centros comerciais, eram esses os lugares onde a vida do campo se organizava. Um texto de viagem local que agora circula descreve-as como reservatórios de tempo lento e de agitação cotidiana, e para muitos moradores mais velhos de Nanhai a lembrança delas está ligada à infância.

O ritmo era simples e rigoroso. Como o transporte era difícil e os dias passavam devagar, os mercados giravam num ciclo de dez dias e três rodadas, de modo que cada vila tinha o seu dia grande e o campo se organizava em torno dele. Era o acontecimento mais esperado da vida na aldeia. Antes do amanhecer, os adultos punham os cestos de bambu ao ombro e as crianças seguiam-lhes os passos, caminhando pelas veredas elevadas entre os arrozais no ar fresco da manhã em direção ao barulho do velho mercado. O próprio trajeto, sugere o autor, era metade do prazer.

Nanhai assenta sobre uma densa rede de rios e canais, e essa geografia moldou as vilas. As mercadorias chegavam de barco, e os mercados cresceram onde a água encontrava a terra. Cada uma das cinco desenvolveu o seu próprio caráter e a sua própria especialidade, de modo que uma família podia ir a uma vila buscar produtos frescos, a outra tecidos ou ferramentas e a uma terceira artigos de festa. Ao longo de décadas, cada mercado acumulou a sua própria passagem dos anos, o seu próprio canto da memória local.

O que o texto retoma continuamente é a atmosfera, mais do que o comércio. Hoje o atrativo desses lugares não é venderem algo que um supermercado não tenha. É a densidade dos pequenos encontros: o vendedor que conhece a sua família, o petisco que não existe em nenhum outro lugar, a luz particular do amanhecer numa viela cheia. Para quem cresceu na região, é no velho mercado que vivem de fato o sentimento mais forte de ano-novo e as memórias de infância mais calorosas, e não nas torres e centros comerciais que substituíram tantas outras coisas.

A nostalgia não é puramente sentimental. Em toda a China, as ruas de mercado históricas tornaram-se um modelo de requalificação, à medida que as cidades tentam transformar as antigas vielas comerciais em lugares que valha a pena visitar, em vez de demoli-las. O risco é conhecido em toda parte: um mercado restaurado até virar cenário perde exatamente a textura humana que o tornava digno de ser preservado. As cinco vilas de Nanhai têm a vantagem de uma história comercial genuína e de uma população ao redor que ainda se lembra de como funcionavam.

Para o viajante, o atrativo é modesto e específico. Não são grandes atrações com entrada em horário marcado e audioguias. São bairros vivos onde o prazer vem de caminhar devagar, comer o que se vende naquela manhã e reparar em como uma vila ribeirinha se organiza em torno da água e de uma ponte. A premissa do artigo, de que os lugares mais lentos guardam mais vida, é um corretivo útil num país que construiu tanto em tão pouco tempo.

Que as cinco vilas conservem essa qualidade depende das escolhas que se fazem agora sobre restauração, aluguéis e que tipo de negócios podem se instalar. A lembrança do passeio ao mercado ao amanhecer ainda está fresca o bastante para orientar essas escolhas. Resta saber se a próxima geração poderá fazer esse passeio ela mesma, ou apenas ler sobre ele.

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