Com 2.400 quilômetros de extensão, a Mongólia Interior é a província mais longa da China

No mapa da China, a Mongólia Interior parece uma longa fita estendida sobre as costas do norte do país, curvando-se das florestas do nordeste em direção aos desertos do noroeste. A comparação usada com frequência nos relatos de viagem chineses é que a região é longa o bastante para conter cerca de doze Coreias do Sul ou três Japões enfileirados.
Os números por trás dessa imagem vêm dos dados publicados pelo próprio governo regional. A Mongólia Interior vai de cerca de 126 graus 04 minutos de longitude leste a 97 graus 12 minutos leste, uma extensão máxima de leste a oeste de aproximadamente 2.400 quilômetros. De norte a sul, estende-se por cerca de 1.700 quilômetros em seu ponto mais largo. A área total é de 1,183 milhão de quilômetros quadrados, a terceira da China depois de Xinjiang e do Tibete — mas em comprimento puro, nenhuma outra província chega perto.
Para os viajantes, essa geografia é o grande atrativo. Uma única viagem pode ir das florestas de bétulas e pinheiros da cordilheira do Grande Khingan, no nordeste, às onduladas pradarias ao redor de Hulunbuir que atraem fotógrafos todo verão, atravessar os desertos de Kubuqi e Badain Jaran no oeste e chegar às florestas de álamos de Ejina, que ficam douradas por algumas semanas a cada outubro.
As distâncias também são o desafio. Dirigir da ponta leste até o extremo oeste é uma empreitada de vários dias por estradas que podem ficar vazias por longos trechos. Paradas para abastecer, o clima e a própria escala da terra exigem planejamento. Os fóruns de viagem chineses trocam com frequência roteiros que dividem a região em circuitos leste, central e oeste, em vez de tentar um trajeto contínuo.
A sazonalidade dita o calendário. O verão traz festivais de pradaria, passeios a cavalo e noites frescas no norte. O outono é a estação dos álamos dourados de Ejina e do deserto de Alxa, enquanto o inverno transforma partes da região em destino de neve e gelo. A primavera é mais ventosa e poeirenta no oeste, por isso muitos visitantes a evitam.
A Mongólia Interior é também onde as pradarias do norte da China encontram sua economia energética moderna. A região é uma base importante de energia eólica e solar, e a estepe aberta que os turistas fotografam é a mesma terra que abriga parques eólicos e usinas solares. Essa mistura de tradição e infraestrutura é parte do que faz uma viagem de carro aqui parecer diferente de um passeio turístico convencional.
Para visitantes internacionais, a região é acessível por trem de alta velocidade de Pequim a Hohhot, a capital regional, em poucas horas, com voos de conexão para cidades menores como Hailar e Ordos. Alugar um carro com motorista continua sendo a forma mais prática de cobrir os longos trechos vazios, e os guias locais costumam ser a diferença entre um circuito apressado e um inesquecível.
O apelo é simples: uma região tão longa que seu clima, sua paisagem e sua cultura mudam várias vezes antes de você chegar ao outro extremo. Poucos lugares na China oferecem essa sensação de escala em uma única viagem.