O 200º jogo de clube de um defensor de 28 anos e o longo caminho por trás disso

A maioria dos marcos no futebol é celebrada com fogos de artifício. O 200º jogo de clube de Xu Jizu rendeu uma derrota em casa por 0 a 1 e uma linha na súmula da partida.
O defensor de 28 anos atingiu a marca em 11 de outubro, na 26ª rodada da China League One, quando seu clube, o Yanbian Longding, perdeu em casa para o Nantong Zhiyun. Nascido em novembro de 1997, Xu passou toda a carreira no futebol nacional, e o número é um mapa perfeito dela: 60 partidas pelo Zhejiang Greentown, o clube hoje conhecido simplesmente como Zhejiang FC e há muito tempo presença constante na primeira divisão; 13 pelo Nanjing City; 42 pelo Jinan Xingzhou; e 85 até agora pelo Yanbian Longding, onde também marcou cinco gols e deu duas assistências.
Para os leitores que não acompanham o futebol chinês, a estrutura importa. A Superliga Chinesa é a primeira divisão, mas abaixo dela está a China League One, e abaixo desta a League Two — uma pirâmide densa e muitas vezes caótica de clubes que sobem, fecham, mudam de nome e se mudam com frequência espantosa. Um jogador que sobrevive uma década nesse ambiente, e continua sendo convocado, fez algo genuinamente difícil.
Xu não é um nome de manchete. Nunca foi titular habitual da seleção nacional e, aos 28 anos, é improvável que se torne um agora. Mas o marco é uma janela útil para a vida profissional do jogador de futebol chinês: não o milionário de um gigante de uma grande cidade, mas o jogador de elenco que aparece, treina, viaja e é escalado, temporada após temporada, em clubes cujos orçamentos e ambições mudam constantemente.
O Yanbian Longding tem sede no nordeste da China, em uma região com profunda cultura futebolística e torcida local apaixonada, mas longe do dinheiro e da mídia de Xangai, Pequim ou Cantão. Para clubes assim, jogadores experientes como Xu são a espinha dorsal do time: não necessariamente espetaculares, mas confiáveis, acessíveis e familiarizados com a dureza da liga. Oitenta e cinco partidas por um único clube é uma lealdade incomum em uma divisão onde os elencos mudam rapidamente.
O momento do marco, em um jogo perdido em casa, é adequado. O futebol chinês passou anos lidando com turbulências financeiras, e a segunda divisão absorveu grande parte da dor. Os clubes cortaram salários, enxugaram elencos e passaram a depender mais de jogadores capazes de cumprir em mais de uma posição. A longevidade tornou-se uma habilidade comercializável em si mesma.
Há também um ponto estatístico silencioso. Alcançar 200 jogos de clube no final dos vinte anos significa que você esteve em forma, desejado e disponível quase todos os anos desde que se tornou profissional. Isso não é só sorte. Os defensores, em particular, envelhecem bem nesta liga, porque ler o jogo não custa nada e a experiência compensa a perda de meio metro de velocidade.
Portanto, o placar de 0 a 1 não é realmente a história. A história são 200 jogos em quatro clubes, em um sistema de liga que raramente celebra o meio-termo. Xu Jizu provavelmente não terá um jogo de despedida ou uma turnê de adeus. Ele simplesmente continuará jogando, que é exatamente o que o levou aos 200 em primeiro lugar.