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A enxurrada turística de Kaifeng: por que uma cidade de quarta categoria se enche de visitantes

Pela redação do HotNews3 min de leitura
A enxurrada turística de Kaifeng: por que uma cidade de quarta categoria se enche de visitantes

Kaifeng foi outrora a capital da dinastia Song do Norte, uma cidade de talvez um milhão de habitantes que mercadores e enviados descreviam como o lugar mais movimentado da terra. Hoje é uma modesta cidade-prefeitura em Henan, o coração agrícola do centro da China, e não é o tipo de lugar que um visitante estrangeiro costuma incluir no primeiro roteiro. No entanto, durante o feriado do Dia Nacional de 2026, suas duas atrações mais conhecidas figuraram entre as mais visitadas de toda a província.

Os números contam a história. As áreas cênicas de Henan com classificação 4A ou superior — o segundo nível do sistema oficial de classificação chinês, logo abaixo do topo 5A — receberam 1,833 milhão de visitantes durante a semana de feriado. Entre as cinco mais movimentadas estavam o parque Paisagens do Rio Qingming, uma recriação de uma rua da era Song construída em torno de um famoso rolo de pintura, e o parque de artes marciais Wansuishan. A equipe deste último mal teve descanso: sua conta oficial publicou sete avisos distintos de lotação entre 1º e 4 de outubro, e os funcionários avisaram aos visitantes que os tempos de fila dependiam da multidão e que os ingressos deixariam de ser vendidos quando esgotassem.

Nas redes sociais, um comentário resumiu o clima e viralizou: o mar de gente tinha se tornado literal. Essa frase capta o que realmente está à venda aqui. Kaifeng não compete com Xi’an ou Pequim em monumentos. Compete em atmosfera — artistas fantasiados, lutas encenadas, mercados noturnos vendendo sopas de dumplings e espetinhos grelhados — e no fato de que uma família pode entrar, assistir a um show e sentir que valeu a pena sem reservar com meses de antecedência.

Esse é o padrão mais amplo do turismo doméstico chinês. O calendário de feriados do país concentra os deslocamentos em poucas janelas, e o calendário de 2027, já publicado, restaura um recesso de nove dias para o Ano Novo Chinês. Quando todos viajam ao mesmo tempo, cidades de porte médio com forte identidade local e ingressos baratos absorvem o excesso dos destinos mais badalados. Kaifeng fica a um curto trajeto de trem de alta velocidade de Zhengzhou, a capital provincial e um importante entroncamento ferroviário, o que a torna uma parada fácil em vez de um compromisso.

A superlotação também tem um custo. Sete avisos de lotação em quatro dias significam que o parque esteve repetidamente no limite, e os visitantes que chegaram sem ingresso foram barrados. Os moradores já se acostumaram a ter sua cidade velha intransitável no início de outubro. Para os parques, porém, a economia é difícil de contestar: uma semana de feriado lotada pode sustentar um local durante um inverno fraco.

Para o viajante internacional, a lição prática é o momento. O apelo de Kaifeng é real — o patrimônio da dinastia Song, as ruas de comida noturna, os canais recriados —, mas seus dias de pico estão entre os mais movimentados da China. Vá na primavera ou no final do outono em um dia de semana comum e as mesmas ruas que em outubro ficavam apinhadas permitirão um passeio tranquilo.

O que observar agora é se Kaifeng consegue converter as multidões de feriado em demanda o ano todo, como algumas cidades chinesas menores tentaram fazer com uma única atração viral. As vendas de ingressos são uma medida; a ocupação hoteleira em janeiro seria uma melhor.

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