Os alunos chineses do terceiro ano e o arremesso de 70 metros no softbol

Uma pergunta publicada esta semana em um dos fóruns online mais movimentados da China tem o tom de uma discussão no portão da escola: um menino do terceiro ano — com cerca de oito ou nove anos — consegue arremessar uma bola de softbol a 70 metros e, se consegue, isso é sinal de talento real?
Vale a pena colocar os números em contexto. Uma bola de softbol escolar padrão é pequena e leve, feita para mãos jovens, e um arremessador forte do ensino fundamental pode alcançar 30 a 40 metros. Setenta metros não é um arremesso um pouco melhor; é uma categoria diferente de arremesso, do tipo que faz um professor de educação física parar a aula e se aproximar.
Mas a distância sozinha é um teste ruim. Os treinadores que trabalham com crianças olham primeiro para a mecânica: se a trajetória do braço é fluida, se os quadris e ombros giram em sequência, se o menino consegue repetir o mesmo movimento três vezes seguidas. Uma criança que arremessa a bola 70 metros com um movimento rígido, só de braço, costuma ser uma criança que vai parar de melhorar aos 12 anos, enquanto um menino menor com timing limpo pode continuar ganhando metros por anos.
Há também a questão de saber o que a bola realmente é. Os pátios escolares em toda a China usam uma variedade de bolas de softbol, algumas mais macias e leves que a regulamentar, e um vento a favor ou um campo duro e seco podem acrescentar vários metros. Os frequentadores do fórum logo pediram vídeo em vez de números, e com razão: um arremesso medido por um pai orgulhoso não é o mesmo que um arremesso medido em um campo demarcado.
Ainda assim, a pergunta toca em algo real. O sistema esportivo chinês há muito tempo é bom em encontrar crianças cedo em esportes com resultados claros e mensuráveis — ginástica, saltos ornamentais, tênis de mesa, badminton — e menos bom em esportes onde o talento aparece tarde. As provas de arremesso se encaixam mal nesse sistema. Existem programas de atletismo nas escolas e nas escolas esportivas provinciais, mas um menino de nove anos com um braço forte tem mais probabilidade de ser direcionado para o basquete ou o vôlei, onde altura e coordenação importam mais do que um único movimento explosivo.
Os pais que liam o tópico estavam divididos entre dois instintos. Alguns viam um dom que deveria ser desenvolvido imediatamente, com um treinador, um clube e um plano. Outros viam uma criança que deveria poder praticar vários esportes, crescer e só se especializar quando seu corpo tivesse alcançado seu braço. Os cientistas do esporte tendem a ficar do lado do segundo grupo, alertando que o arremesso intenso antes da adolescência é um caminho conhecido para lesões no ombro e no cotovelo.
A resposta mais útil do tópico foi também a menos dramática. Se o menino gosta de arremessar, deixe-o arremessar; encontre um treinador que possa observá-lo duas vezes por semana; mantenha-o em outros esportes; e meça-o novamente em dois anos. Setenta metros aos nove anos é um dado, não um destino. As crianças que chegam mais longe no atletismo geralmente são as que nunca ouviram, aos nove anos, exatamente o que seriam.