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Gigantes do cobre do Chile tropeçam enquanto a demanda chinesa define o preço

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Gigantes do cobre do Chile tropeçam enquanto a demanda chinesa define o preço

Os operadores de cobre acordaram esta semana com um número impressionante. Segundo a Comissão Chilena do Cobre, conhecida como Cochilco, a produção em Escondida — a maior mina de cobre do mundo — caiu 27,6 por cento em agosto na comparação anual, para 76.100 toneladas. Em Collahuasi, outra operação chilena de destaque, a produção recuou 25,1 por cento, para 26.500 toneladas no mesmo mês.

Só essas duas minas respondem por uma fatia significativa da oferta global, de modo que os recuos repercutiram diretamente nos preços. Na London Metal Exchange, o cobre fechou em alta de US$ 231, a US$ 14.540 a tonelada. Zinco, chumbo, níquel e estanho também subiram, enquanto o alumínio recuou apenas US$ 2, para US$ 3.048. Quando as maiores minas de cobre do mundo espirram, todo o complexo de metais pega um resfriado.

Para os leitores que não conhecem o metal: o cobre é a espinha dorsal silenciosa da transição energética. Ele conduz eletricidade por redes, motores, data centers e veículos elétricos. Um único carro elétrico de grande porte usa muito mais cobre do que um veículo a gasolina comparável, e a construção de parques solares, turbinas eólicas e linhas de transmissão consome volumes enormes. Isso torna as interrupções de oferta nas minas do Chile — que fornece cerca de um quarto do cobre mundial — uma história global, não local.

A China está na outra ponta dessa cadeia. É de longe a maior consumidora e refinadora de cobre, importando concentrado do Chile, do Peru e de outros países, e depois transformando-o em fios, tubos e componentes de baterias. A demanda chinesa, portanto, ajuda a definir o preço que as minas chilenas obtêm, e qualquer oscilação na construção ou na indústria chinesa aparece rapidamente nas salas de negociação da LME. É uma dependência mútua: o Chile precisa dos compradores chineses, e a China precisa da rocha chilena.

Os recuos de agosto não são simplesmente uma história de esgotamento do metal. As grandes minas de cobre estão envelhecendo, e os teores de minério — a parcela de metal aproveitável em cada tonelada de rocha — vêm caindo há anos. A escassez de água no norte do Chile, as negociações trabalhistas e a enorme dificuldade de licenciar novos projetos acrescentam atrito. Analistas costumam descrever a próxima década como aquela em que a demanda crescerá mais rápido do que a oferta facilmente disponível, e é por isso que cada relatório mensal de produção é examinado tão de perto.

Há também uma dimensão financeira. O cobre é um dos metais industriais mais negociados, e seu preço entra diretamente nos custos de construtoras, fabricantes de cabos e produtores de eletrodomésticos. Cobre mais caro encarece tudo, de aparelhos de ar-condicionado a cabos de energia, e esses custos acabam chegando aos consumidores. Para os investidores, o cobre se tornou um proxy para apostar na eletrificação — às vezes chamado de metal da transição energética.

Então, o que acontece agora? Muito depende de saber se agosto foi um caso isolado, talvez ligado a manutenção ou a problemas operacionais temporários, ou o início de uma queda mais longa. Se a oferta continuar fraca enquanto a demanda chinesa se mantiver estável ou melhorar, os preços podem permanecer elevados. Se a construção chinesa continuar lenta, o mercado pode ignorar o déficit.

De qualquer forma, a mensagem desta semana é clara: o preço do cobre não é mais decidido em uma única cidade. Ele é negociado entre as minas chilenas, as mesas de operações londrinas e as fábricas chinesas — e os números de agosto inclinaram um pouco mais a balança para o aperto.

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