Estúdios de cinema com IA na China atraem ligações de cidades ansiosas para sediá-los
Há dois anos, o cineasta Zhu Zhili escolheu Shenzhen, o polo tecnológico do sul da China, como sede de seu estúdio de cinema com IA. Este ano, seu telefone não para de tocar com ligações de autoridades governamentais e gestores de parques industriais de todo o país. A mensagem, diz ele, é quase sempre a mesma: traga seu negócio de cinema com IA para cá.
O padrão é familiar para quem já observou a política industrial da China em ação. As cidades competiram ferozmente para atrair fabricantes de painéis solares, depois fábricas de veículos elétricos, depois empresas de robótica. Agora, uma corrida semelhante está em andamento pela produção de vídeo com IA, uma indústria jovem que mal existia há alguns anos, mas que cresce rápido o suficiente para atrair atenção oficial.
O que torna a produção cinematográfica com IA atraente é o custo. Produtores dizem que o preço de gerar vídeo com inteligência artificial caiu drasticamente. A Televisão Central da China informou que, no primeiro semestre de 2026, o custo de fazer um curta dramático gerado por IA caiu de cerca de 5.000 yuans por minuto para apenas algumas centenas de yuans. Para um meio em que os orçamentos antes eram dominados por câmeras, equipes, locações e atores, isso é uma mudança sísmica.
As ferramentas de vídeo com IA funcionam gerando imagens em movimento a partir de comandos de texto, fotos de referência ou clipes curtos. Um criador pode esboçar uma cena, descrevê-la em palavras e deixar o software produzir filmagens que antes exigiriam uma equipe de produção completa. Os resultados nem sempre estão prontos para a tela grande, mas são cada vez mais bons o suficiente para dramas de formato curto, publicidade e conteúdo para redes sociais, onde a velocidade importa mais que o refinamento.
A economia está redefinindo quem pode fazer filmes. Um único criador com um laptop agora pode produzir conteúdo que antes precisava de um estúdio. Isso reduz a barreira de entrada, mas também levanta questões sobre como a indústria lidará com direitos autorais, direitos de imagem e o sustento das equipes empregadas pela produção tradicional.
As cidades veem mais do que valor artístico. Um polo de vídeo com IA reúne poder de computação, data centers, talento em software e empresas de conteúdo, tudo o que se encaixa perfeitamente nos planos locais de construir uma economia digital. Os parques industriais oferecem espaço de escritório, incentivos fiscais e acesso aos recursos computacionais em larga escala que a geração de vídeo com IA exige. Em troca, esperam sediar uma nova indústria de exportação, assim como fizeram com painéis solares e carros elétricos.
Resta saber se o vídeo com IA seguirá a mesma trajetória desses setores. A energia solar e os veículos elétricos tiveram sucesso em parte porque os produtos eram padronizados e tinham demanda global. Filmes e dramas dependem de gosto, idioma e cultura, que viajam com menos facilidade. Os curtas dramáticos chineses com IA encontraram público em casa, mas conquistar espectadores no exterior é um desafio diferente.
Por enquanto, o dinheiro e o impulso são reais. Zhu Zhili e outros como ele estão avaliando ofertas de cidades que querem ser conhecidas como o próximo centro do cinema com IA. É provável que a competição se intensifique à medida que a tecnologia melhora e os custos continuam caindo. O que antes era um experimento de nicho está se tornando uma indústria, e os governos locais estão determinados a não perdê-la.