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Uma colher de terra contém dez metros de filamento fúngico

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Uma colher de terra contém dez metros de filamento fúngico

Pegue uma única colher de chá de terra saudável e você estará segurando algo quase impossível de imaginar: cerca de dez metros de filamento fúngico vivo. Agora multiplique isso por cada pedaço de terra na Terra, e você obtém o primeiro balanço global de uma das estruturas menos visíveis — e mais importantes — do planeta.

Os números vêm de um estudo publicado na revista Science em junho de 2026. Uma equipe de pesquisa se propôs a estimar, em escala mundial, o tamanho total das redes construídas por fungos micorrízicos arbusculares, um grupo conhecido como AMF. Esses fungos não são solitários de vida livre. Eles estabelecem uma parceria com as raízes da maioria das plantas terrestres, enfiando seus finos filamentos, chamados hifas, no tecido radicular e alcançando muito longe no solo ao redor.

Essa parceria é uma troca. O fungo recolhe água e minerais — sobretudo fósforo — de lugares a que uma raiz nunca chegaria sozinha, e os entrega à planta. Em troca, a planta fornece açúcares produzidos pela fotossíntese. É um dos acordos mais antigos e difundidos da biologia, e sustenta silenciosamente boa parte do alimento que consumimos.

Segundo os cálculos da equipe, o comprimento total das hifas vivas nos solos superficiais do mundo é de cerca de 11 bilhões de bilhões de quilômetros. O número não é erro de digitação. Dito de outra forma, se esse filamento fosse colocado ponta a ponta, se estenderia por cerca de 74 milhões de vezes a distância média da Terra ao Sol. O carbono preso dentro desses filamentos chega a aproximadamente 300 milhões de toneladas, um reservatório que raramente aparece nas contas climáticas.

Por que o tamanho importa? Porque uma rede tão vasta move material. As hifas fúngicas atuam como tubulações vivas, transportando nutrientes entre as plantas e armazenando carbono no solo. Quando a terra é arada, pavimentada ou despojada de sua vegetação, esses fios são cortados. O estudo dá aos pesquisadores uma linha de base — um número inicial — com o qual medir ganhos ou perdas futuros.

O trabalho também reformula como pensamos o próprio solo. Para a maioria das pessoas, é terra, um fundo marrom do mundo verde acima. Na realidade, é uma infraestrutura densa e ramificada, construída por organismos que quase nunca vemos e só entendemos em parte. Um único grama pode conter quilômetros de hifas, ao lado de bactérias, insetos e esporos em números que desafiam a intuição.

Os cientistas alertam que estimativas globais desse tipo carregam ampla incerteza. Amostrar todos os solos da Terra é impossível, então os autores combinaram medições de campo com modelos de cobertura vegetal e condições do solo. O total exato será refinado. O que provavelmente não mudará é a conclusão de que esses fungos formam uma das maiores estruturas biológicas do planeta — maior que qualquer dossel florestal, qualquer recife de coral, qualquer organismo individual.

Para agricultores e jardineiros, a lição prática é simples. Práticas que mantêm o solo coberto, minimizam a perturbação profunda e preservam raízes vivas tendem a proteger os parceiros fúngicos já presentes. Para todos os outros, a descoberta oferece uma nova forma de ver o chão sob os pés: não um terreno inerte, mas uma teia oculta, paciente e enorme, fazendo um trabalho silencioso em uma escala que até agora mal se podia estimar.

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