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Uma pagode de madeira de 970 anos e os limites do reparo

Pela redação do HotNews3 min de leitura
Uma pagode de madeira de 970 anos e os limites do reparo

A Pagode Sakyamuni em Yingxian, um pequeno condado da província de Shanxi, está de pé há quase mil anos sem um único prego. Construída em 1056 durante a dinastia Liao, a torre de madeira ergue-se a 67,31 metros, com cinco pavimentos visíveis envolvendo nove camadas estruturais — pisos abertos alternados com níveis ocultos de contraventamento encaixados entre eles. É a pagode inteiramente de madeira mais antiga e mais alta ainda de pé em qualquer lugar, e há décadas os engenheiros a descrevem como um paciente em lento declínio.

O diagnóstico, exposto numa resposta que circulou amplamente no site chinês de perguntas e respostas Zhihu, concentra-se no segundo pavimento aberto. Os anéis interno e externo de colunas do seu lado sudoeste não param de se inclinar, algumas visivelmente fora de prumo. Os conjuntos de mísulas que sustentam a carga acima começaram a esmagar-se nas extremidades. Dos doze ou mais conjuntos de mísulas gravemente danificados em toda a torre, oito estão neste único pavimento.

O autor, que assina como Jianzhuxue, argumenta que reparar a pagode não é de modo algum uma questão estrutural, mas uma consulta médica completa — e que as ciências básicas das quais ela depende ainda não estão construídas. Fisiologia, patologia e farmacologia, nessa metáfora, estão todas incompletas. Ninguém consegue ainda modelar com precisão como uma armação de madeira de nove camadas distribui a carga à medida que suas peças se deformam e racham ao longo dos séculos, como o larício e o olmo antigos se comportam quando secam e se fendem, ou qual intervenção de fato detém a inclinação em vez de deslocar o esforço para outro lugar.

A tentação é escorar, aprumar e substituir. Cada opção tem um custo que o edifício não pode absorver duas vezes. Aprumar uma coluna inclinada pode transferir força para mísulas que já estão no limite. Substituir madeira podre significa cortar uma estrutura cujo valor reside em parte no fato de que suas peças originais ainda fazem o seu trabalho. E qualquer reparo precisa resistir não só ao próximo século, mas aos terremotos, aos ciclos de umidade e ao fluxo turístico que esse século trará.

O que torna este caso atraente para além da China é que ele é uma prévia. O mundo está cheio de estruturas insubstituíveis — catedrais, templos, primeiros marcos de concreto — que agora entram na idade em que seus materiais originais falham mais rápido do que amadurece a ciência de conservá-los. A pagode só tem de incomum a franqueza com que seus guardiões falam dessa lacuna.

Para os viajantes, Yingxian é um desvio e não uma parada principal, uma cidade de condado a oeste das montanhas Wutai que a maioria dos visitantes alcança por estrada. A pagode compensa a viagem justamente porque não foi restaurada até um acabamento reluzente. Sua madeira é escura, remendada e visivelmente cansada, e a inclinação é real.

A questão agora não é se intervir, mas como. Equipes de conservação debatem propostas há anos, do reforço pontual do segundo pavimento a uma desmontagem completa que a maioria dos especialistas rejeita. Fique atento para saber se as autoridades se comprometem com um plano de reparo definido e se os dados de monitoramento dos instrumentos da torre algum dia serão publicados na íntegra — o sinal mais claro de que o prontuário do paciente finalmente está sendo lido.

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